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segunda-feira, 19 de julho de 2010

A culpa foi de D. Pedro

E era uma vez a copa da África (do sul), que pelos menos serviu para os ignorantes aprenderem que nem tudo é pobreza no continente negro e que também faz frio por lá e que nem todos os africanos são negros.
Tudo bem, o futebol apresentado foi de péssima qualidade e os juízes contribuíram bastante para atrapalhar o espetáculo, mesmo assim existe muito o quê comemorar e não me refiro apenas às belas da copa, ave Larissa Riquelme, mas a momentos como o rosto perplexo de Maradona diante do óbvio, ele não é Deus e a zaga da Argentina é pior que a do Vasco da Gama, ou ainda o inferno e o céu de Asamoah Jan, que perdeu um pênalti no último minuto da partida contra o Uruguai e alguns minutos depois converteu outro. Para fazer isso, como se diz no sertão, é preciso ter sangue no olho, e o atacante de Gana teve, embora, para sua infinita tristeza, o pênalti perdido foi decisivo, o segundo, não.
Outro momento indelével foi à irresponsabilidade bem-sucedida do Loco Abreu e o sorriso de Luís Suárez depois de ser informado que o malfadado Asamoah Jan, não convertera o pênalti que ele causara ao impedir, com as mãos, que a bola de Gana, atravessasse o gol do Uruguai.
Esse foi sem dúvida o jogo mais emocionante da copa.
Porém inesquecível mesmo será a falha do melhor goleiro do mundo, Júlio César, Júlio César e suas mãos delicadas demais e o time inteiro do Brasil desabando sob o peso da responsabilidade de representar o melhor futebol do mundo.
A falta de educação dos franceses e do técnico da Alemanha também será lembrada e ainda a zaga da Suiça e o time dos EUA, que dará trabalho nas próximas copas.
Essa que passou foi a copa das surpresas, embora a Espanha tenha sido campeã, e das decepções, Messi, que não tem sangue no olho, que o diga. E o nosso Kaká, estará mesmo imprestável de vez para o futebol? E a Itália, ressurgirá das cinzas?
Não sei, sei que Diego Forlán foi sem dúvida o craque da copa e caso tivesse jogado pelo Brasil, apesar do Felipe Melo e do Júlio César, a nossa equipe teria levado o hexa com uma mão nas costas, culpa então de D. Pedro I, que não ganhou a guerra da Cisplatina.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ronaldo

“Aí tem um bando de corno
Agora chegou uma bicha
Pra que que eu quero esse gordo
Enfia no cu Corinthians”.

Foi assim que a torcida do time do coração de Ronaldo Nazário de Lima, mais conhecido como “o fenômeno”, pelos fãs, ou “Ronaldo bola”, para os gozadores e ainda “Ronaldinho perna-podre” para os mais cruéis recebeu o atacante do Corinthians no palco que seguramente o menino pobre sonhou em brilhar, ou seja, no sexagenário e mítico estádio do Maracanã, um dos templos maiores da sociedade brasileira, mas esse carioca de quem falo nunca deu certo no Rio, e, outra vez, nada deu certo pra ele.
No jogo seguinte, que decidiria a sorte da sua equipe, o Corinthians, na copa “Libertadores da América”, fez um gol, mas o tal gol não foi suficiente e foi sobre as largas costas deles que recaiu toda a responsabilidade da derrota, não só de um time, mas de uma torcida apaixonada.
No dia seguinte lá estava ele pra se explicar, pois “de quem muito se confia, muito se exige”, porém chamado as falas por um repórter que embora sem utilizar essa palavra, o acusou de irresponsável, o jovem velho Ronaldo desabafou: “eu tenho trinta e três anos, nove cirurgias, sinto dores no corpo, fui um dos jogadores que mais treinei esse ano e ainda tenho que responder essa tua pergunta sobre comprometimento”.
Com a voz embargada nem de longe o jogador parecia o bom vivã que circulava com desenvoltura em boates de Madrid, Milão, Rio e São Paulo; nem parecia o homem providencial de alma lavada, que depois de amarelar na copa do mundo de 98 e se machucar terrivelmente por duas vezes seguidas foi um dos grandes responsáveis pela conquista do pentacampeonato mundial. Também não parecia o gordinho pretensioso que encerrou a careira na seleção brasileira levando um humilhante “banho” de Zinedine Zidane na copa da Alemanha em 2006 e muito menos o patético menino jurando que é homem e que confundiu três travestis com três prostitutas.
Na quinta-feira, depois da eliminação do Corinthians, confessando suas fraquezas e suas virtudes em público o jovem velho Ronaldo Nazário de Lima parecia comigo, com você, com qualquer um e é por isso, sim seu Ronaldo, é por isso que embora você não me conheça eu estou com você, o povo está com você e é o que importa.